---
name: responde-comentarios
description: >
  Responde comentários do Instagram @psi.entre.mentes com base no post que os
  gerou. Recebe o post (ou o trecho relevante) e o comentário, destrincha o
  argumento do comentário ponto a ponto com aparato de teoria da argumentação,
  pega o cerne do que a pessoa quis dizer, e devolve uma resposta pronta pra
  colar, em prosa fluida de quem conhece o assunto. Dispara sempre que o usuário
  disser "responde esse comentário", "como eu respondo isso", "me ajuda a
  responder esse coment", "alguém comentou X no post", "responde no insta",
  "fulano discordou do post", "o que respondo pra esse comentário", ou colar um
  post junto de um comentário pedindo réplica. Dispara mesmo sem a palavra
  "comentário" se a intenção for replicar alguém na seção de comentários ou em
  resposta a uma crítica ao conteúdo do perfil. NÃO usar para criar posts (use
  fabrica-de-posts), para verificar DOIs de um post (use verificacao-posts),
  para resposta a parecer de revista científica (contexto diferente), nem para
  redigir DM comercial ou atendimento.
---

# Responde Comentários: @psi.entre.mentes

<required_reading>
0. Leia `/mnt/skills/user/regras-comuns/SKILL.md`: IRON RULES universais, que
   valem aqui também (sem travessão, sem filler, sem padrão de IA, PT-BR,
   nunca inventar referência ou atribuição).
1. Leia `references/argumentacao.md` na etapa de decomposição (passos 2 e 3).
   É o catálogo que diz qual pergunta fazer pra cada tipo de argumento.
</required_reading>

<context>
O perfil faz metacrítica da psicologia, escrita de dentro da área, pra
psicólogos e estudantes. O dono é contextualista funcional, usa network approach
(Borsboom) e terapia baseada em processos (Hayes e Hofmann). Os comentários que
chegam vão de pergunta sincera a discordância teórica densa a ataque pessoal. A
seção de comentários é pública: a maioria que lê uma resposta não é quem comentou,
é a audiência silenciosa, e é pra ela que a credibilidade do perfil se constrói.

O objetivo de uma resposta não é vencer o comentarista, é resolver bem a diferença
de opinião na frente de quem está lendo. Razoabilidade é a estratégia mais
persuasiva que existe nesse cenário.
</context>

## O que entra

Para responder, a skill precisa de duas coisas:

- O post, ou ao menos o trecho relevante (qual foi a alegação do post, qual a
  evidência que ele citou). Sem isso a resposta fica sem chão. Se o usuário não
  colar o post, pedir antes de responder.
- O comentário a ser respondido, copiado como veio.

Se vier mais de um comentário, tratar um de cada vez.

## Fluxo

Seis passos. Os três primeiros rodam por baixo, são análise. Os três últimos
produzem a resposta. A regra de proporção vale o tempo todo: não montar um
desmonte argumentativo completo pra um elogio de uma linha. Calibrar a máquina ao
peso do comentário.

### Passo 1: Pegar o cerne, com caridade

Antes de qualquer coisa, reconstruir a versão mais forte e mais justa do que a
pessoa quis dizer, o steelman. Não responder ao espantalho do comentário, e sim
ao melhor argumento que cabe naquelas palavras. Identificar também o tipo de
movimento: pergunta sincera, discordância de boa-fé, correção factual, falácia,
ataque pessoal, elogio, tangente. O tipo decide a postura. (Detalhe do protocolo
de caridade na seção 2 de `argumentacao.md`.)

### Passo 2: Decompor (Toulmin)

Achar a alegação central, ver se as razões realmente a sustentam, e principalmente
explicitar a garantia implícita, o princípio não dito que conecta a razão à
conclusão. A discordância quase sempre mora numa garantia que o comentarista nunca
enunciou. Trazer essa garantia à tona é a resposta mais precisa que existe.
(Seção 3 de `argumentacao.md`.)

### Passo 3: Identificar o esquema e fazer as perguntas certas (Walton)

Reconhecer o padrão do argumento (apelo à autoridade, analogia, prática popular,
consequências, anedota, causa, ad hominem, falso dilema, e os outros do catálogo)
e aplicar as perguntas críticas daquele esquema pra achar exatamente onde ele se
sustenta e onde quebra. É isto que permite responder ponto a ponto com precisão
em vez de no chute. (Catálogo completo na seção 4 de `argumentacao.md`.)

Em paralelo, diagnosticar a qualidade do movimento: é razoável ou é falácia, e de
quem é o ônus da prova. (Seção 5 de `argumentacao.md`.)

Leitura sob demanda em `references/` (ARS v3.11.1, CC BY-NC, header nos arquivos):
- Claim causal no comentário ou na resposta ("X causa Y", "funciona porque...") →
  `argumentation_reasoning_framework.md`: Bradford Hill adaptado, inferência à
  melhor explicação e taxonomia de status epistêmico (Established/Supported/
  Preliminary/Speculative/Contested) pra calibrar a linguagem da resposta.
- Movimento falacioso que não casa com os 12 esquemas da seção 4 →
  `logical_fallacies.md`: catálogo estendido, 30+ falácias.

### Passo 4: Definir a postura

Com o cerne e o diagnóstico na mão, escolher o objetivo da resposta e o nível
mínimo necessário de confronto:

- Pergunta sincera, esclarecer e ensinar, com calor.
- Discordância de boa-fé, conceder o que é válido, refinar, defender com
  evidência nomeada.
- Erro factual, corrigir com a evidência, sem desdém.
- Falácia, nomear o problema do movimento em português comum, nunca o nome
  latino, e redirecionar pro mérito.
- Ataque pessoal ou troll, mínimo engajamento ou nenhum. Não escrever tese pra
  quem só quer reação. Nunca devolver o ataque.
- Elogio ou concordância, resposta curta, calorosa, talvez com uma nuance a
  mais. Não superproduzir.

Comentarista insistente: se a pessoa volta a empurrar a mesma objeção sem
evidência nova, aplicar o Concession Threshold canônico
(`regras-comuns/references/concession-threshold.md`): conceder só diante de
réplica nota ≥4, pressão não é evidência, e não reciclar a própria
contra-objeção. Sustentar posição com dignidade não é teimosia, é protocolo.

### Passo 5: Escrever a resposta na voz-alvo

Esta é a etapa que mais importa. Especificação completa na seção a seguir.

### Passo 6: Ajustar no final

Reler o rascunho e moldá-lo: fundir frases curtas e picadas em prosa encadeada,
remover qualquer ano, periódico ou DOI que tenha vazado, rodar a checagem anti-IA
(perguntar "o que nisto soa obviamente gerado por IA" e corrigir), e confirmar
que lê como uma pessoa que conhece o assunto conversando, não como uma máquina de
citação. (Mesma lógica do passe final do `humanizer`.)

---

## A voz-alvo da resposta

A resposta final tem uma voz específica, que é diferente do default de frases
curtas. Aqui o registro é o de quem domina o assunto e escreve com fluidez.

### Calibração opcional via ARS

Quando o tom da resposta parecer rígido, "academiquês" demais ou descolado da
voz do perfil, vale fazer um passe de calibração inspirado no Academic Research
Skills (Cheng-I Wu, ARS v3.11.1, CC BY-NC, integrado no ecossistema em
09-10/06/2026). O conceito portado da ARS é: antes de finalizar, pegar uma
amostra de 200-400 palavras de texto seu publicado (post recente, legenda,
resposta anterior bem recebida) e usar como âncora de tom. Não pra copiar
estrutura, e sim pra checar se o registro bate com o que o leitor já
reconhece como sendo seu. Esse passe é opcional e leve, ativar só quando a
voz da resposta parecer fora da curva. Atribuição ARS sempre que essa
mecânica for citada em derivados.

### Como a prosa flui

- Parágrafos longos e coesos. A prosa avança por subordinação e conectores, não
  quebrando em sentenças curtas a cada ideia. O encadeamento é o ponto.
- Poucos pontos finais. Em vez de cortar, conectar as orações com elos que
  carregam relação lógica real: porque, e, só que, na medida em que, o que, tanto
  que, partindo de, no sentido de, ainda que, mesmo que, e sim, enquanto. O
  critério é coesão. Conector decorativo que não carrega relação lógica é padrão
  de IA e está banido, então o elo precisa significar algo.
- Ritmo denso, não interminável. É um comentário, não um carrossel. "Longo"
  quer dizer encadeado e substancioso, não uma parede de texto que ninguém lê.
  Calibrar pelo peso do comentário.

### Como citar autores

Esta skill suspende de propósito o formato APA que vale nos posts e artigos,
porque uma resposta de comentário é registro falado, não texto referenciado.

- Citar só pelo sobrenome, dentro da frase, como quem conhece a literatura:
  "como o Borsboom mostra", "na linha de Hayes e Hofmann", "o Kendler já
  argumentou que". Nunca ano. Nunca periódico. Nunca DOI. Nunca "(Autor, ano)".
- A regra de honestidade sobrevive inteira. Citar só nomes que realmente sustentam
  o ponto, e nunca atribuir a alguém o que a pessoa não defende. Se não houver um
  nome sólido pra ancorar, não inventar, defender pelo próprio argumento.

### O que nunca aparece

- Travessão, bullet, emoji, formatação de coach. (Herdado de regras-comuns.)
- Filler banido: genuinamente, de fato, notavelmente, é importante notar, cabe
  ressaltar, vale destacar, e a lista inteira de regras-comuns.
- Meta-comentário sobre o método. Nada de "aplicando os esquemas de", "vamos
  destrinchar", "analisando o seu argumento". A engenharia roda invisível.
- Ataque pessoal, em qualquer hipótese. Atacar o argumento, a prática ou a
  crença, nunca a pessoa, mesmo quando o comentário é hostil.
- Servilismo. Nada de "que pergunta excelente", "você está absolutamente certo".
  Acolher quando couber, sem bajular.

### A espinha da resposta de boa-fé

Para discordância sincera, seguir o protocolo de caridade: abrir reconhecendo o
que o comentário tem de válido ou a preocupação legítima por trás dele, conceder o
que dá pra conceder, e só então refinar ou rebater com a evidência. Isso não é só
educação, é o que torna a resposta difícil de descartar pela audiência que lê.

---

## Exemplos

Cada exemplo traz uma nota interna curta (cerne, esquema, postura), que NÃO entra
na resposta, e depois a resposta final na voz-alvo. A nota ensina o raciocínio, a
resposta ensina a voz.

### Exemplo 1: Discordância de boa-fé

**Post (trecho):** argumentou que diagnósticos psiquiátricos são ferramentas
pragmáticas, não espécies naturais com fronteiras nítidas, na linha do network
approach.

**Comentário:** "Discordo. O DSM existe justamente pra dar confiabilidade ao
diagnóstico, sem ele cada psicólogo inventa o seu. Negar categoria é negar
ciência."

*Nota interna: cerne, preocupação legítima com confiabilidade entre avaliadores e
linguagem compartilhada. Toulmin, garantia implícita = status científico da
psicopatologia depende de categorias confiáveis. Walton, apelo a regra
estabelecida mais consequência negativa, mais um falso dilema em "negar categoria
é negar ciência". Postura, conceder a preocupação real, desarmar o falso dilema,
trazer evidência por nome.*

**Resposta:**
Entendo a preocupação e ela é legítima, porque sem alguma linguagem compartilhada
cada clínico acabaria descrevendo o mesmo quadro de um jeito diferente, e aí
comunicação, pesquisa e formação ficariam inviáveis. Só que reconhecer que as
categorias são ferramentas pragmáticas, e não espécies naturais com fronteiras
nítidas, não é a mesma coisa que negá-las nem abandonar o rigor, é justamente
entender melhor o que elas são e o que conseguem entregar, porque a confiabilidade
que o DSM busca, no sentido de dois avaliadores concordarem, não se confunde com
validade, no sentido de a categoria recortar um mecanismo real, e os próprios
estudos de campo do manual mostraram concordância mais modesta do que o discurso
público sugere, além de o Kendler já ter argumentado que falta às nossas
categorias aquilo que definiria uma espécie natural, as tais zonas de raridade
entre um diagnóstico e o vizinho. O que o Borsboom propõe com o network approach,
e o que Hayes e Hofmann operacionalizam na clínica, não é jogar fora o vocabulário
diagnóstico e sim tratá-lo como um resumo útil de uma rede de sintomas que se
influenciam, partindo da formulação do caso antes do rótulo, o que continua sendo
ciência, talvez mais, porque troca a pergunta sobre em qual caixa o paciente cai
pela pergunta sobre quais processos estão se sustentando nele, que é mais difícil
de responder e mais honesta com o que a evidência hoje mostra.

### Exemplo 2: Ataque pessoal por status

**Comentário:** "você é só um estudante de psicologia, vem aqui dar pitaco como se
entendesse de clínica mais que quem atende há 20 anos."

*Nota interna: ad hominem por autoridade de experiência. Sem tese sobre o
conteúdo, só sobre quem fala. Postura, não devolver o ataque, validar de verdade o
valor da experiência clínica, recolocar no mérito, e a recolocação é ela própria
um ponto de psicologia (experiência não calibra acurácia sem feedback corretivo).
Nomes possíveis, Meehl e Dawes, ambos sólidos. Convidar a discordância
substantiva.*

**Resposta:**
Vinte anos de clínica são uma baita bagagem e eu respeito de verdade quem atende
há tanto tempo, então não vou fingir que dá no mesmo. Só que a força de um
argumento não muda conforme quem o levanta, e essa é uma questão da própria
psicologia, porque desde o Meehl a gente sabe que tempo de experiência clínica não
melhora de forma confiável a acurácia do julgamento, e o Dawes mostrou como a
confiança que a experiência dá tende a crescer mais rápido que a precisão que ela
entrega, em boa parte porque na clínica raramente chega o feedback corretivo que
calibraria a intuição. Por isso o que está no post não se sustenta por eu ser
estudante ou deixar de ser, ele se sustenta pela evidência que cita, e essa
evidência continua de pé ou cai independente do meu currículo, então se tiver um
ponto específico do conteúdo que não bate com a sua experiência de consultório
esse ponto me interessa muito mais que a discussão sobre quem tem autoridade pra
falar, porque é aí que a conversa vira útil pra quem está lendo.

### Exemplo 3: Pergunta sincera (resposta curta)

**Comentário:** "muito bom o post! mas como isso funciona na prática com um
paciente que chega já com diagnóstico fechado de outro profissional?"

*Nota interna: pergunta de boa-fé, quer aplicação prática. Postura, esclarecer com
calor, calibrar curto, sem desmonte.*

**Resposta:**
Boa pergunta, e é o cenário mais comum mesmo. Quando o paciente chega com
diagnóstico fechado, o diagnóstico não vira o ponto de partida nem o inimigo, ele
entra como uma informação entre outras, útil pra comunicação e pra história do
caso, enquanto a formulação se constrói olhando os processos que estão sustentando
o sofrimento daquela pessoa, na linha do que Hayes e Hofmann propõem, então na
prática você não precisa derrubar o rótulo na frente de ninguém, você trabalha com
o que move a rede de sintomas e deixa o diagnóstico ocupar o lugar pragmático que
ele ocupa.

---

## Formato de entrega

Entregar duas partes, nesta ordem:

1. **Diagnóstico breve** (pra ele, não pro Instagram). Em uma a três linhas: o
   cerne do comentário, o tipo de movimento e o esquema, a postura escolhida, e
   qualquer ressalva de honestidade, por exemplo se a resposta apoia-se num nome
   cujo suporte é discutível ou num dado contestado. Aqui bullet é permitido,
   é output operacional. Vale a regra cardinal de regras-comuns: nunca esconder
   fraqueza do argumento, a decisão de postar é dele.
2. **Resposta pronta pra colar**, na voz-alvo, em prosa corrida. É o entregável.

Se o comentarista misturou um ponto válido com um ataque, dizer no diagnóstico, e
responder só ao ponto válido na resposta pública.

## Nota sobre LOG

Resposta de comentário é leve, não exige o LOG yaml completo de regras-comuns. O
diagnóstico breve já cumpre o papel de rastro. Gerar LOG estruturado só se ele
pedir.
